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Comportamento Rafael RadaelliPor Rafael Radaelli · 5 min de leitura

Vieses do investidor: por que erramos com o próprio dinheiro

A nossa cabeça usa atalhos para decidir rápido. No dia a dia, ajudam. No dinheiro, custam caro. Conhecer os principais é o primeiro passo para não cair neles.

Investir bem é menos sobre inteligência e mais sobre temperamento. Warren Buffett resume isso de um jeito que não sai da cabeça: se você trabalha com investimentos e tem 160 de QI, pode vender 30 pontos para outra pessoa, porque não vai precisar deles. O que decide o resultado não são os pontos de QI que sobram, é o temperamento. Boa parte dos erros de investidor não vem de falta de informação, mas de atalhos mentais, os vieses, que nos empurram para a decisão errada justamente quando mais importa manter a calma.

Efeito manada

Quando todo mundo está comprando, parece seguro comprar. Quando todo mundo vende, dá vontade de correr também. O problema é que a manada costuma chegar atrasada: compra caro na euforia e vende barato no pânico. Seguir a multidão é confortável e quase sempre custa caro.

Aversão à perda

A dor de perder pesa mais do que o prazer de ganhar o mesmo valor. Isso nos leva a segurar um erro tempo demais ("não vou vender no prejuízo") e a realizar lucros cedo demais, exatamente o contrário do que faria sentido. A conta emocional atrapalha a conta financeira.

Viés de confirmação

Depois de decidir, passamos a procurar só o que confirma a nossa escolha e a ignorar o que a contraria. É reconfortante, e perigoso: cega você para os sinais de que talvez seja hora de rever a posição.

Excesso de confiança e recência

Uma sequência de acertos vira a ilusão de que controlamos o mercado. E damos peso demais ao que aconteceu por último, uma queda recente, uma alta recente, como se fosse tendência. Os dois levam a apostar mais do que o critério recomendaria.

Você não precisa vencer os próprios vieses. Precisa de um processo que os contorne.

Como se proteger

Não dá para desligar os vieses, eles são parte de ser humano. Mas dá para reduzir o estrago: ter critérios definidos antes da tempestade, decidir com método e não no impulso, e contar com um ponto de vista independente que segure a sua mão quando o instinto manda fazer besteira. É boa parte do valor de não investir sozinho.

Cada viés tem o seu momento de agir. Vejo eles em ação em três situações clássicas: na hora de não vender no pânico numa queda, no medo de ficar de fora que faz comprar no topo, e no abismo comportamental que faz o investidor ganhar menos que o próprio investimento.

O que fica

O investidor que se dá bem no longo prazo raramente é o mais inteligente ou o mais informado da sala. É o que construiu um jeito de decidir que não depende do humor do dia. Os vieses vão continuar aparecendo, isso é parte de ser gente e não tem cura. A diferença está em ter um processo, e às vezes um olhar de fora, que segure a sua mão quando o instinto puxa para o lado errado. É exatamente aí que o temperamento vence o QI.

Perguntas frequentes

O que são vieses do investidor?

São atalhos mentais que o cérebro usa para decidir rápido. No dia a dia eles ajudam, mas na hora de investir empurram para erros como comprar na euforia e vender no pânico. Os mais comuns são o efeito manada, a aversão à perda, o viés de confirmação e o excesso de confiança.

Dá para eliminar os vieses de uma vez?

Não. Eles são parte de ser humano e não desligam. O que dá para fazer é reduzir o estrago, com critérios definidos antes da hora, decisões por método e não por impulso, e um ponto de vista independente que segure a sua mão nos momentos de tensão.

Ser muito inteligente protege dos vieses?

Não necessariamente. Como diz Warren Buffett, acima de uma inteligência comum o que decide o resultado é o temperamento, não os pontos de QI. Gente muito inteligente cai nos mesmos vieses, às vezes com ainda mais convicção. O que protege é o processo, não o QI.

Faz parte do tema Comportamento do investidor.

Rafael Radaelli

Rafael Radaelli é analista CNPI e consultor de investimentos CVM. Atende com honorário transparente, sem comissão de banco, corretora ou gestora. Conheça a história dele →