Entre em contato
Planejamento Rafael RadaelliPor Rafael Radaelli · 5 min de leitura

Selic: como o juro básico afeta seus investimentos

Uma taxa só, definida a cada 45 dias, mexe com quase tudo na sua carteira. Entender como é mais útil do que tentar adivinhar o próximo passo do Copom.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central a cada 45 dias. Ela é o preço de referência do dinheiro no país, e é dela que partem, direta ou indiretamente, quase todas as outras taxas: o rendimento da sua aplicação, o juro do financiamento, o custo do crédito das empresas.

Em uma frase: quando a Selic sobe, a renda fixa pós-fixada passa a render mais e a atrair dinheiro. Quando cai, o incentivo se inverte e os ativos de risco tendem a ficar mais atraentes. O resto do mercado se organiza em torno desse movimento. No momento em que escrevo, para dar referência, a Selic está em 14,25% ao ano, mas o número muda a cada ciclo, e o conceito é o que importa.

Como a Selic afeta cada investimento

  • Renda fixa pós-fixada. Sobe e desce junto com a Selic. O Tesouro Selic e os produtos atrelados ao CDI rendem mais quando o juro está alto e menos quando cai. É a relação mais direta que existe, e explico as famílias em como funciona a renda fixa.
  • Renda fixa prefixada e IPCA+. Aqui a relação é inversa e pega muita gente de surpresa: quando os juros sobem, o preço de mercado desses títulos cai, e vice-versa. Quem carrega até o vencimento recebe a taxa combinada, mas quem precisa vender antes sente a marcação a mercado.
  • Ações. Juro alto é concorrência para a bolsa, porque a renda fixa passa a pagar bem sem risco. Também encarece o crédito das empresas e pesa sobre os lucros futuros. Por isso, em geral, juro alto tende a pressionar os preços das ações, e juro em queda costuma favorecê-los.
  • Fundos imobiliários. Sofrem influência parecida com a das ações. Como boa parte do apelo do FII é a renda que distribui, quando a renda fixa paga muito, os cotistas exigem mais retorno dos fundos, o que costuma pressionar as cotações.
A Selic muda o cenário de fundo. Ela não muda quais são os seus objetivos.

O que não fazer com a Selic

O erro mais comum é transformar a Selic num gatilho de compra e venda: correr para a renda fixa quando o juro sobe, correr para a bolsa quando cai, sempre atrás do movimento que já aconteceu. Isso é tentar adivinhar o Copom, e nem o mercado profissional acerta isso com consistência.

A Selic é pano de fundo, não roteiro. Ela ajuda a entender por que cada classe se comporta de um jeito num dado momento, mas a decisão sobre a sua carteira continua vindo dos seus objetivos e prazos, não da aposta sobre a próxima reunião. Uma carteira bem montada já contempla os diferentes cenários de juro, em vez de reagir a cada um deles.

O que fica

Entender a Selic serve para ler o cenário com calma, não para prever o futuro. O juro sobe e desce em ciclos, e uma carteira desenhada em torno dos seus objetivos atravessa esses ciclos sem precisar adivinhar nenhum deles. Saber como a taxa afeta cada peça é o que permite não se assustar quando ela se move.

Perguntas frequentes

Quando a Selic sobe, é melhor investir em renda fixa?

A Selic mais alta realmente aumenta o rendimento da renda fixa pós-fixada, o que a torna mais atraente no momento. Mas migrar a carteira inteira a cada movimento do juro é perseguir o passado. A divisão entre as classes deve seguir os seus objetivos e prazos, e não o ciclo de juros da vez.

Por que meu título prefixado caiu quando a Selic subiu?

Porque o preço de mercado dos títulos prefixados e IPCA+ anda ao contrário dos juros: quando a Selic sobe, esse preço cai. É a marcação a mercado. Se você levar o título até o vencimento, recebe a taxa que contratou. A oscilação só vira prejuízo para quem vende antes do prazo.

A Selic afeta a poupança?

Sim. A regra da poupança é atrelada à Selic: enquanto o juro básico está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR. Abaixo desse patamar, o rendimento passa a ser uma fração da própria Selic. Mesmo assim, costuma ficar atrás de outras aplicações igualmente simples e seguras.

Faz parte do tema Primeiros passos, no território de planejamento e patrimônio.

Rafael Radaelli

Rafael Radaelli é analista CNPI e consultor de investimentos CVM. Atende com honorário transparente, sem comissão de banco, corretora ou gestora. Conheça a história dele →