Juros compostos: por que o tempo é o seu maior aliado
O efeito mais poderoso dos investimentos tem pouco a ver com sorte, e tudo a ver com paciência.
Os juros compostos são frequentemente chamados de a oitava maravilha do mundo. A frase pegou porque a ideia é mesmo poderosa, e, ao contrário do que parece, ela tem pouco a ver com sorte e tudo a ver com tempo.
A matemática silenciosa
Juros compostos são juros que rendem sobre juros. No começo, o efeito é quase imperceptível. Mas, ano após ano, a base cresce sobre si mesma, e o que parecia lento vira uma curva que sobe cada vez mais rápido. O segredo não está na taxa; está no número de anos.
O inimigo número um: a impaciência
Se o tempo é o motor, a impaciência é o freio. Sacar cedo, trocar de estratégia a cada solavanco, perseguir a moda do momento: tudo isso interrompe a composição justamente quando ela começaria a fazer diferença.
Investir bem, no fundo, é em boa parte resistir à tentação de atrapalhar.
O tempo no mercado costuma vencer a tentativa de acertar o momento do mercado.
O que isso muda para você
Significa que começar e permanecer importam mais do que acertar o ponto perfeito de entrada. Um plano que você consegue manter por anos, com critério e sem sobressaltos, tende a trabalhar mais a seu favor do que o movimento genial que se faz uma vez e não se repete.
Perguntas frequentes
Como funcionam os juros compostos na prática?
O rendimento de cada período passa a fazer parte do capital e rende junto no período seguinte. No começo a diferença em relação ao juro simples é pequena, quase invisível. Com o passar dos anos a base cresce sobre si mesma e a curva se inclina. O que faz a diferença no fim não é a taxa, é o número de anos.
Qual a fórmula dos juros compostos?
O montante é o capital multiplicado por (1 mais a taxa) elevado ao número de períodos. A taxa e o período precisam estar na mesma unidade: taxa mensal com número de meses, taxa anual com número de anos. Para estimar de cabeça quanto tempo o dinheiro leva para dobrar, divida 72 pela taxa anual em por cento.
Os juros compostos funcionam com aportes mensais?
Funcionam, e é assim que a maioria constrói patrimônio. Cada aporte começa a compor a partir da data em que entra, de modo que o primeiro aporte é o que mais trabalha e o último quase não trabalha. É essa assimetria que faz começar cedo pesar mais do que aportar muito depois.
A inflação atrapalha os juros compostos?
Atrapalha, e por isso o número que interessa é o retorno real, já descontada a inflação. Um investimento que rende 10% ao ano com inflação de 6% compõe a cerca de 3,8% ao ano em poder de compra, e não a 10%. O efeito composto continua existindo, só que sobre o número real, que é bem menor do que o da tela.
Faz parte do tema Value investing.
Rafael Radaelli é analista CNPI e consultor de investimentos CVM. Atende com honorário transparente, sem comissão de banco, corretora ou gestora. Conheça a história dele →