Quanto custa uma consultoria de investimentos?
Os formatos de cobrança, o que o preço inclui e a metade da resposta que quase ninguém conta: o custo que você já paga hoje sem ver.
Quem pesquisa quanto custa uma consultoria de investimentos merece uma resposta direta, e ela cabe em poucas linhas.
Em uma frase: uma consultoria de investimentos costuma cobrar de três formas: um percentual anual sobre o patrimônio orientado, um valor fixo (mensal ou anual) ou um preço fechado por um projeto pontual. O número exato varia de consultoria para consultoria, com o tamanho e a complexidade do patrimônio.
Essa é a metade menos importante da resposta. A outra metade quase nunca aparece na conversa: a orientação "gratuita" que a maioria dos investidores recebe do banco ou da corretora também tem preço. Ele só não aparece na fatura. No meu trabalho, é por essa metade que eu começo, porque sem ela nenhuma comparação de preço faz sentido.
As três formas de cobrança
- Percentual sobre o patrimônio orientado. O honorário acompanha o tamanho e a complexidade da carteira. É o formato mais comum para acompanhamento contínuo.
- Valor fixo. Uma mensalidade ou anuidade combinada, que não depende do tamanho do patrimônio. Previsível para os dois lados.
- Projeto pontual. Um trabalho com começo, meio e fim, como um diagnóstico da carteira ou um planejamento anual, com preço fechado. Costuma ser a porta de entrada para quem quer conhecer o serviço antes de um compromisso contínuo.
Num modelo independente e fee-based, o traço comum aos três é este: o preço é combinado por escrito, aparece na fatura e é a única receita do consultor. Nenhuma parte do ganho dele vem de produto, banco ou corretora. É assim que funciona o modelo fee-based, e é essa a diferença que separa a consultoria independente dos outros formatos de atendimento.
O preço que não aparece na fatura
O gerente do banco não cobra pela sugestão. O assessor da corretora também não. Mas os produtos que eles distribuem carregam comissões e taxas de distribuição, e é daí que sai a remuneração de quem atende você. O serviço parece gratuito porque o custo está embutido no investimento.
Isso deixou de ser totalmente invisível: desde 2024, por exigência da CVM, corretoras e assessores enviam ao cliente um extrato trimestral mostrando quanto receberam com os investimentos dele. Se você investe por banco ou corretora, procure esse extrato. Para muita gente que atendo, é a primeira vez que o custo da orientação "gratuita" aparece com nome e número.
Orientação de graça não existe. Existe preço na fatura e preço escondido no produto.
A comparação honesta
O erro clássico é comparar o honorário de uma consultoria com "zero". A comparação certa é entre o honorário transparente e a soma das comissões embutidas no que você já carrega na carteira. Essa conta muda de pessoa para pessoa, e muda de figura conforme o patrimônio cresce: comissão embutida tende a crescer junto com a carteira. O honorário combinado, não necessariamente.
E há o que o número sozinho não mostra. Na minha experiência, o custo mais alto de uma carteira raramente é a taxa: são os erros. Produto caro que remunera quem vendeu, concentração que ninguém apontou, resgate no pânico na primeira queda. O que uma boa consultoria cobra é pelo método que reduz a chance desses erros, e esse valor não cabe num extrato.
A honestidade vale nos dois sentidos: para patrimônios pequenos e situações simples, o serviço individualizado pode não compensar. Nesse caso, educação financeira e produtos simples resolvem mais, e um bom consultor diz isso na primeira conversa, antes de qualquer contrato.
O que o honorário inclui (e o que não inclui)
Ao contratar um acompanhamento contínuo, o que se compra em geral é um ciclo completo: o diagnóstico da situação, um plano de investimentos desenhado para os seus objetivos e o acompanhamento ao longo do tempo, com reuniões periódicas e revisões quando a vida muda. O guia completo sobre o que é uma consultoria de investimentos independente descreve cada etapa desse ciclo.
Vale saber também o que o preço não inclui: a execução. No modelo regulado pela CVM, quem decide e movimenta o dinheiro é sempre você, na sua corretora ou banco. O consultor orienta e acompanha, mas não opera a sua conta. As regras estão em consultoria de investimentos é regulada? O que diz a CVM.
Os erros que eu mais vejo nessa decisão
- Comparar o honorário com "zero". O custo da orientação embutida existe, só não está na fatura. Sem essa conta, qualquer honorário parece caro.
- Escolher pelo preço e ignorar o modelo de remuneração. A pergunta que muda tudo não é "quanto custa", é "quem paga o profissional que me atende". Quando a resposta é o produto, a recomendação tem dono.
- Nunca abrir o extrato de remuneração. O documento existe desde 2024 justamente para dar transparência. Ele é o ponto de partida de qualquer comparação séria.
- Contratar pelo momento errado. Quem só precisa organizar a casa uma vez talvez resolva com um projeto pontual. Quem tem patrimônio e vida financeira em movimento tende a aproveitar melhor o acompanhamento contínuo. Formato errado sai caro nos dois sentidos.
O que fica
Preço em consultoria de investimentos se avalia como tudo no longo prazo: pelo alinhamento, não pelo número isolado. Um honorário transparente, combinado por escrito e desacoplado de produto compra uma coisa rara no mercado financeiro: uma recomendação sem dono. No fim das contas, o barato que sai caro raramente é o honorário. É o conflito de interesse que ninguém cobrou na fatura.
Perguntas frequentes
Existe consultoria de investimentos gratuita?
Não de verdade. O que existe é orientação com custo embutido: comissões e taxas de distribuição pagas pelos produtos que você compra. O extrato trimestral de remuneração, exigido pela CVM desde 2024, mostra parte desse custo.
Como descubro quanto eu já pago hoje pela orientação que recebo?
Peça ou procure o extrato trimestral de remuneração na sua corretora ou banco. Ele mostra quanto a instituição e o assessor receberam com os seus investimentos no período. Somado às taxas dos produtos que você carrega, esse é o seu custo atual, mesmo sem nunca ter recebido uma fatura.
Consultoria é só para quem tem muito patrimônio?
Não é uma régua fixa. O serviço individualizado compensa a partir de certa complexidade de patrimônio e de vida financeira, não de um número mágico. Para quem está começando, educação financeira costuma resolver mais, e uma conversa honesta esclarece isso antes de qualquer contrato.
Além do honorário, pago mais alguma coisa ao consultor?
No modelo fee-based, não. O honorário combinado é a única receita do consultor. Custos de corretagem, taxas de produtos e impostos continuam existindo, mas são pagos às instituições e ao governo, não ao consultor, e um bom plano procura reduzi-los.
Faz parte do tema Consultoria fee-based x assessoria. Veja também o guia completo da consultoria independente.
Rafael Radaelli é analista CNPI e consultor de investimentos CVM. Atende com honorário transparente, sem comissão de banco, corretora ou gestora. Conheça a história dele →